segunda-feira, 16 de março de 2015

Um país chamado favela - Renato e Celso

Essa construção de Renato Meirelles e Celso Athayde, união de duas figuras da sociedade brasileira, Renato presidente do data popular, especialista em mercado emergente e Celso um produtor cultural, focado nas favelas e periferia. Os dois fundaram o Data Favela e tiveram a ideia de criar um livro que mostrasse a realidade da população da favela, do seu dia-a-dia, sua economia (produçao, consumo, etc.) e de como os poderes públicos e privados deveriam ver com outros olhos este espaço popular. 
Confira detalhes abaixo:
O livro é didatico apresentando ilustraçoes e uma linguagem popular, proporcionando uma leitura fluida trazendo em pauta os esteriótipos que a sociedade possui relacionado a favela, que é retratada pela mídia por conceitos prontos e cristalizados.

Os autores mostram de como a classe pobre conseguiu aquisição financeira com o atual governo (Lula), focalizando na melhoria do poder de compra, mostrando como a classe baixa conseguiu ter acesso a bens (objetos e serviços) que em outros governos não teriam capacidade.

" O choque derivado da mudança está expresso na repulsa de certos setores sociais pelos pobres que viajam de avião, pelos negros que ingressam na faculdade, pelas empregadas que conquistam direitos trabalhistas, pelo proletariado que consegue adquirir um carro ou uma casa melhor"

Renato e Celso trazem o conhecimento empírico dos moradores da comunidade, mostrando seu desenvolvimento social e econômico, apresentando como a classe social tornou-se unida em prol da melhora de todos.
O que falta no livro?

Falta um foco para o desenvolvimento educacional dos "favelados", concentrando apenas sua atenção no poder adquerido de consumir.

Poucas vezes os autores citam a inserção de pobres, negros na universidade pública.

1. No primeiro capítulo os autores mostram como a favela e seus moradores se constituíram e evoluíram: o aumento no consumo, aumento da expectativa de vida, na cultura e na economia brasileira, revelando como o pobre realmente tem importância na economia brasileira, de como uma geladeira pode mudar tudo.

2. Já no segundo capítulo, expressa como a favela se tornou o berço do empreendedorismo, de como se legitimou como grande consumidora e produtora de bens de consumo, mostrando a participação de bancos comunitários (ferramenta que os autores defendem como ação de grande desenvolvimento local que deveria ser mais incentivado).
Trabalhando sob esta perspectiva, os autores denunciam sempre a injustiça tanto das instituições públicas quanto instituições privadas (principalmente bancos) visando sempre o lucro de juros sobre juros, não havendo um incentivo para esses pequenos comerciantes, para esse povo "favelado".
Em todos os capítulos os autores abordam a acensão do povo da favela, explicando e dando exemplos do dia-a-dia apresentando pesquisas (da própria instituição), de como esses indivíduos são essenciais para o Brasil. 

Conclusão:

É um livro maravilhoso, que abre a visão do que realmente é a favela e de que esse povo não é formado dos esteriótipos que a mídia produz e sim, são produtores de arte, economia e cultura. O livro traz perspectivas reais, com base em pesquisas, em exemplos empíricos de moradores, abordando sempre a injustiça. O autor explica como nasceu a favela (de forma injusta), mostra como esse povo tem gosto musicas e como ele se separa em gênero e faixa etária. Os autores formam um livro com base antropológica, apresentando os significados, a importância, a cultura e o desenvolvimento ao longo dos anos e governos. Trazendo todas as realidades dos brasileiros que moram nas favelas, as realidades econômicas, sociais, judiciais, entre outras. Ressalva, o que faz falta no livro é o foco na educação.