sexta-feira, 17 de julho de 2015

Resenha: O homosseuxal visto por entendidos

Editora: Garamond universitária
Aut@r: Carmen Dora Guimarães
Capa: Muito simples, com um único tom de verde e traz as informações mais básicas do livro. O que me chamou atenção nesta capa foi o desenho abstrato, que ora parece uma flor, ora parece uma borboleta e por fim, parecem moléculas.
Narrativa: O livro originou-se de uma tese de mestrado, com uma linguagem bem simples e fluente durante todo o livro. Única crítica para a construção do livro são algumas citações que estão em outra lingua e os organizadores não fizeram uma nota ou algo que leve o leitor - incipiente em outra língua - possa compreender melhor o livro, sendo necessário recorrer ao google tradutor. 
Visão: Nesta tese de mestrado, Carmen Guimarães, traz as perspectivas de ser homossexual em uma sociedade vista de dentro. O livro se divide em três capítulos, onde no primeiro capítulo, a autora traz a perspectiva de silêncio quando trata-se de sexualidade, onde ela explica a produção do silêncio e o desvio do assunto. No Segundo capítulo, é exaltado que a sociedade deve ser constituída de semelhanças, onde a homossexualidade é tratada como uma ação desviante, "anormal". Já no terceito capítulo as coisas se invertem e Carmen inverte as perspectivas do capítulo anterior e traz uma ideia de que devemos sair da semelhança e partir para a diferença, porque devemos ser diferentes e legitimar nossa identidade, sem uma pressão da sociedade. Fazendo uma síntese da homossexualidade a partir de uma pesquisa antropológica com indivíduos definidos como homossexuais e trabalhando sob a perspectiva do mundo homossexual como "anormal" e, heterossexual "normal".
Carmem mostra como o mito do silêncio, de não mostrar a sua identidade homossexual, seja no meio social, profissional ou familiar. No segundo capítulo, ela mostra a diferenciação do meio homossexual-heterossexual ou entre o meio homossexual-homossexual, onde dentro da própria classe são definidas estruturas de poder, a bicha pobre escandalosa, o michê, o homossexual esclarecido e culturalmente desenvolvido, caracterizado como "normal" e, no fim a autora mostra as semelhanças. Em determinados momentos a autora apresenta uma visão estereotipada, preconceituosa da própria classe homossexual. A melhor citação do livro é onde a autora, trabalhando com a perspectiva de Douglas, Foucault e Bordieu, a hierarquização seja no meio homossexual ou heterossexual traz consequências. A categoria homossexual é avaliada negativamente em oposição a categoria heterossexual.
(volto a falar) A parte negativa do livro são as passagens em inglês, francês e espanhol que autora fa uso porém sem tradução. No primeiro capitulo a autora traz um aspecto real e frequente de homossexuais, o silêncio, o medo e o se esconder: A ideologia do silêncio. Transformando a homossexualidade como um desvio, uma coisa errada, uma doença, entre outras definições. Onde qualquer interesse sobre o tema é revestido de silêncio.
"No período de socialização infantil os 'pedagogos da sexualidade' manifestam explicitadamente quais comportamentos, atitudes e objetos para cada papel sexual e de gênero, sancionando índices de transgressões a 'normalidade'". A cultura brasileira como patriarcal e machista, traz uma dicotomização e delimitação de papeis sociais, sexuais e de gênero - masculino e feminino. No capítulo dois, trabalhando a perspectiva de diferença para semelhança, onde a exigência de verificação do eu, como real e homossexual através de que o individuo só vai saber se é homossexual mesmo se experimentar o que é ser heterossexual, onde a imposição da sexualidade é prefixado como exigência cultural e social. Trabalhando a não aceitação ou assumir a homossexualidade perante as pessoas (de fora do circulo de amizade) ou dentro do próprio circulo de homossexuais (amigos). A crítica a ações dos homossexuais pesquisados por Carmem apresenta visões preconceituosas sob a perspectiva de que os entrevistados deveriam ter atitudes "normais" em determinados ambientes, como no trabalho - atitudes desviantes. Sob a visão da sociedade, o homossexual é visto como uma pessoa doente, solitária, que precisa de ajuda ou companhia, que está a procura sempre e constantemente do amor homossexual, aquela pessoa carinhosa, amorosa, para a vida inteira. No ultimo capítulo, é visível a dicotomia e divergência das opiniões dos pesquisados a partir do meio homossexual, de como praticam uma segregação dentro de uma minoria, onde os mesmos reclamam da imposição de hierarquias, de relações de poder do meio heterossexual para com o homossexual porém, o próprio meio homossexual procura formas de segregar a própria classe, praticando formas de relações de poder, de quem detém a cultura dita como "normal".
Ao ler o livro, Carmen utiliza em alguns momentos o termo "homossexualismo", considerado de uso incorreto. Com objetivo de explicar a vida, formação e ideologia dos homossexuais, a autora vive, em parte, a vida dos seus entrevistados porém, a autora traz perspectivas de homossexuais caracterizados como hegemônicos, explico: traz a figura de gays brancos, da alta classe brasileira, que segue o padrão de beleza, entre outos fatores. O livro ao invés de (des)construir o pensamento queer, termina legitimando alguns aspectos da sociedade machista e heterossexista brasileira. Vale muito a pena utilizar desta leitura para amplicar o "dicionário intelectual", visando construir uma visão crítica. O livro serve como base para uma discussão fluente e intensa.