quinta-feira, 21 de maio de 2015

O que faz o brasil, Brasil?

Não escondo de ninguém que eu gosto muito de ler os livros de Roberto e seus artigos na internet, ele segmenta seus escritos para a cultura brasileira, sua sociedade em si. Trago mais uma resenha do livro dele. 
Confira resenha abaixo. 
DaMatta, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Editora Rocco. 
Formação étnico-social brasileira, desenvolvimento cultural e como se apresentam essas características sociais. Todos esses temas e são apresentados neste livro, escrito por DaMatta.
Ao longo do livro o autor faz questionamentos sobre identidade, sobre o comportamento, as relações étnicas, sobre as metáforas e comparações utilizadas no dia-a-dia do brasileiro. DaMatta parte da perspectiva de simples atitudes que a sociedade tem no cotidiano, dando a esses comportamentos significados, como a comparação que faz sobre a rua e a casa, onde a casa é um lugar seguro, onde há compaixão, entendimento e onde as leis agem da melhor forma, contribuindo para o desenvolvimento de todos e é o local onde todos possuem identidade, já na rua não “existe teoricamente amor, nem consideração, nem respeito, nem amizade.” Nos primeiros capítulos trabalha as questões da sociedade, da identidade, como se formou a cultura e a sociedade brasileira. Utilizando da comparação entre casa, rua e trabalho, o autor explica que casa é o local de onde vivemos com segurança, que podemos nos expressar, a rua é o local perigoso, onde podemos adquirir experiências, porém procuramos evitar e o trabalho é aquele local onde temos que por “obrigatoriedade” ir para poder sustentar-se, local que para o brasileiro é carregado de fardo – “O patrão em um sistema escravocrata além de explorador da mão de obra, é dono até da moral do mesmo. Essas relações vão do econômico ao moral, mudando completamente o modo de nossas concepções de trabalho e suas relações que até hoje misturamos uma relação puramente econômica com lações pessoais de simpatia e amizade, o que confunde o empregado e permite ao patrão exercer duplo controle da situação, como exemplo as empregadas domésticas.”
“O fato contundente de nossa história é que somos um país feito por portugueses brancos e aristocráticos, uma sociedade hierarquizada e que foi formada de dentro de um quadro rígido de valores discriminatórios”, nesta perspectiva DaMatta mostra como não há uma democracia racial, o negro e o índio são estigmatizados, “os portugueses já tinham uma legislação discriminatória contra judeus, mouros e negros, muito antes de virem para o Brasil; e quando aqui chegaram apenas ampliaram essas formas de preconceito”(Pag.47). Neste capítulo DaMatta faz uma crítica pesada sobre a democracia racial ou a mistura das raças de Freyre, onde apresenta ressalva – “A mistura das raças foi uma forma de esconder a profunda injustiça social contra negros, índios e mulatos, pois, situando no biológico uma questão profundamente social, econômica e política”, em outro ponto DaMatta fala : “É mais fácil dizer que o Brasil foi formado por um triângulo de raças do que assumir que somos uma sociedade hierarquizada, que opera por meio de gradações e que, por isso mesmo, pode admitir, entre o branco superior e o negro pobre inferior”.
Explicando o jeito brasileiro como único no mundo. Esse jeito brasileiro na opinião popular representa como uma coisa sempre ruim, porém DaMatta mostra que além das consequências ruins sobre este jeito brasileiro existem seus benefícios, pois o brasileiro tem a mania da conciliação, de atender as necessidades de todos apesar de ser muito individualista. No exemplo em que DaMatta utiliza, ele mostra que em uma briga entre a loja e um consumidor, a justiça não irá atuar de maneira sobre as penas da lei e sim, procurar antes de tudo uma conciliação, um meio de atender à vontade das duas partes de forma que as duas saiam beneficiadas.
Brasil = É país, é cultura, local geográfico, fronteira e território reconhecido internacionalmente, e também casa, pedaço de chão, calçado com o calor de nossos corpos, lar, memória e consciência de um lugar e, brasil = objeto sem vida, autoconsciência ou pulsação interior, pedaço de uma coisa que morre e não tem a menor capacidade de se reproduzir como sistema.