quinta-feira, 28 de maio de 2015

Um país chamado Favela

Renato Meirelles , Celso Athayde -  Editora Gente
A união de duas figuras da sociedade brasileira, Renato Meireles, presidente do Data popular e especialista de mercado emergente e Celso Athayde, um produtor cultural, focado nas favelas e periferias, onde juntos fundaram o Data Favela. 
Primeiro achei a capa e o título bem didático, atraindo logo sua atenção. Bem organizado e ilustrado, o livro apresenta uma linguagem popular, fluente, sem proporcionar dificuldades de leitura, feito para todas as classes. Os autores sempre colocam em pauta os estereótipos que a sociedade possui sobre a favela, sendo retratada pela mídia como um local sem evolução, com altos níveis de criminalidade, sem perspectivas de crescimento econômico e criatividade, passando conceitos prontos, cristalizados.
Abordando como a classe pobre conseguiu uma boa aquisição financeira com o governo Lula, focando sempre no maior poder de compra, sempre mostrando como pessoas de baixa renda conseguiram ter acesso a bens (objetos e serviços) que em outros governos não teriam essas possibilidades.

"O choque derivado da mudança está expresso na repulsa de certos setores sociais pelos pobres que viajam de avião, pelos negros que ingressam na faculdade, pelas empregadas que conquistam direitos trabalhistas, pelo proletariado que consegue adquirir um carro ou uma casa melhor" - Essa passagem do livro, apresentada na introdução por Preto zezé. 
Renato e Celso tentam legitimar como a favela possui um desenvolvimento social e econômico diferente do que a mídia passa e de como os “favelados” são unidos, procurando um desenvolvimento coletivo.
O que eu senti muita falta no livro foi um foco maior no desenvolvimento da educação, onde os autores trabalham sempre no consumo de bens e serviços, deixando de lado as estatísticas da melhora na educação básica e/ou superior
(Onde a burguesia detém o poder ainda – principalmente das universidades públicas).
Poucas vezes os autores citam a inserção de pobres, negros na universidade pública.
No capítulo 1, os autores mostram como a favela e seus moradores se constituem, de como a evolução e o aumento no consumo de bens influencia no aumento da expectativa de vida, na cultura e na economia brasileira, revelando como o pobre realmente tem importância na economia brasileira, de como uma geladeira pode mudar tudo.
No capítulo 2, os autores apresentam como a favela se tornou o berço do empreendedorismo, de sua legitimidade como grande consumidora e produtora de bens de consumo, mostrando a participação de bancos comunitários (ferramenta que os autores defendem como ação de grande desenvolvimento local que deveria ser mais incentivado). 
Trabalhando nesta perspectiva, os autores denunciam a injustiça tanto das instituições públicas quanto instituições privadas (principalmente bancos), que visam sempre o lucro exagerado através dos juros absurdos, não havendo um incentivo para os pequenos comerciantes, para esse povo "favelado".
Em cada capítulo, os autores abordam a ascensão do povo da favela, explicando como e exemplificando, apresentando pesquisas (da própria instituição), de como esses fatores são essenciais para o Brasil e de como o Estado não dá determinada importância a esse povo.
Um país chamado favela é um livro maravilhoso, que abre uma visão do que realmente é a favela e de que o povo da favela não é só formado dos estereótipos que a mídia produz. Na favela também produz arte, economia e cultura. O livro traz perspectivas reais, com base em pesquisas, em exemplos do cotidiano de alguns moradores, abordando sempre a injustiça que o povo sofre. Explica também como nasceu a favela (de forma injusta), mostra como o “favelado” tem variados gostos musicais e como ele se separa em gênero e faixa etária (estatisticamente).
Sempre com base em pesquisas, porcentagens, perspectivas, os autores formam um livro em uma base antropológica, apresentando os significados, a importância, a cultura, o desenvolvimento ao longo dos anos e governos, tendo ao mesmo tempo um livro cientifico, que comprova os fatos por pesquisas que estão disponíveis a todos. 
O livro traz as realidades vividas pelos brasileiros que moram nas favelas, as realidades econômicas, sociais, judiciais, entre outras.
Concluindo, gostei muito do livro, muito didático, uma capa maravilhosa, ilustrações, traz uma visão econômica da favela positiva (coisa que eu particularmente não tinha), trazendo uma visão ampla. Recomendo a leitura.