segunda-feira, 27 de julho de 2015

Resenha: Entre Ossos Agora

Essa vai para quem gosta de literatura brasileira e adora a leitura de contos.
Editora: Record
Aut@r: Maitê Proença
Capa: Não vou mentir, comprei o livro pela capa. Essa edição amadora da capa, a mistura dos tons de azul do título do livro com o fundo e a expressão positiva de Maitê proença me conquistaram. Essa edição amadora se encaixou perfeitamente no livro.
Narrativa: O modo de escrita utilizado por Maitê traz um acolhimento para com o leitor, porque ela utiliza elementos bastante populares porém, sem ser prolixo ou vulgar.
Visão: No primeiro capitulo, Maitê traz suas crônicas [se é verdade ou não, eu não sei] muito para o lado sentimental, sobre a vida, uma realidade paralela, que nós, como telespectadores imaginamos das pessoas públicas porém, não sentimos na pele. Ela consegue escrever de uma maneira que prende o leitor, fazendo rir ou ficar com os olhos como se tivesse acabado de colocar um bom colírio. 
O amor. Ah o amor! Uma visão romântica, utópica ou real, seja lá o que for, na segunda parte, Maitê, mostra uma versão cheia de romance, quase um livro do século XVIII, mostrando profundamente com o os sentimentos podem mexer com os órgãos do corpo ou com a libido, mostrando que a emoção pode ser maior que a razão e que amar, ah, amar é mais importante que qualquer opinião externa. As crônicas te envolvem, possuindo todo seu coração e, para quem esta amando, realça a ternura e para quem não está amando, enche o coração de esperanças, caso não encha, amolece a dureza dos anos. 
Cheio de amor, ternura e utopia, Maitê traz aquela perspectiva de fantasia, de história cotidiana, mantendo seu estilo de escrita que procura confundir o leitor para aquele mesmo questionamento - é verdade? Aconteceu com ela? Será que é isso que ela pensa? Porém, a autora fala que no amor, não existem só coisas boas, existe o abandono, a falta de compreensão, a traição, a falta de honestidade e pior, a violência, e a autora traz essas perspectivas sem sair da visão romântica. 
Sexo, desejo, conquistar com amor, esses são os temas envolvidos nas crônicas no terceiro capítulo do livro, que te envolve entre suas linhas. Contos [verdade eu não sei] que te fazem pensar um pouco sobre o que realmente se chama relacionamento.
P.s - o livro traz textos heteronormativos, as vezes machistas, com algumas utopias de vida. 
O que é a vida? Quais são as suas dificuldades, seus questionamentos, suas conquistas, entre tantas outras coisas que foram nossa identidade, que constroem nossa visão de mundo. Dentro desta perspectiva, Maitê escreve no quarto ato do livro, sobre as coisas da vida, sobre seu redor, sobre as pessoas, utilizando estereótipos, sendo verdadeira, sendo preconceituosa. 
Quinta parte, a autora traz as mazelas da vida [ou da sua vida, Sabe la Deus] do cotidiano. Opinião sobre outros indivíduos, da sociedade, da convivência ou simplesmente as dificuldade enfrentadas no amor, no sexo e no ato de desejar. Pois, desejar é fácil, difícil é lutar para conseguir alcançar. Temas como homossexualidade, gravidez aos 40 anos e, como a autora traz de forma exacerbada, a religião. 
Na sexta parte, Maitê traz crônicas mais pessoais, com suas opiniões [verdadeiras ou não], suas angustias, entre outras problemáticas da vida.
"Não é verdade que o amor seja um sentimento incondicional, há hiatos no amor. Tem horas em que a tolerância, a generosidade e as virtudes que o acompanham sucumbem às circustâncias. Tem horas que você quer ver o seu amor morto porque seria um alívio. Esta é a verdade".
Sexo, índios, Brasil, educação, honestidade, entre tantos outros temas do nosso dia a dia, Maitê escreve com um tom de acontecimento pessoal, firmando a impressão que temos no início do livro, que ele é autobibliografico, tornando-o envolvente, explico: o tom machista e heteronormativo utilizado pela autora traz a sensação de estar lendo coisas da cultura brasileira. 
No último ato, Maitê traz uma conclusão sobre o livro, sobre as histórias e suas perspectivas.
Vale a pena ler!